A Chapada Diamantina, mundialmente famosa por suas trilhas, cachoeiras e natureza exuberante, está consolidando um novo e sofisticado capítulo em sua história: o enoturismo. No coração dessa transformação, na cidade de Morro do Chapéu, encontra-se a Vinícola Santa Maria, a pioneira que provou ser possível produzir vinhos de alta gama em solo baiano.
O Início: Ciência e Pioneirismo
Diferente de muitas vinícolas centenárias, a história da Santa Maria nasceu de um encontro entre a ciência e a disposição de uma família local. Em 2009, a propriedade — que até então era apenas um sítio de lazer da família de Laura Campos — cedeu espaço para um estudo experimental da Embrapa, em parceria com o Governo do Estado.
O objetivo era audacioso: testar a viabilidade de uvas viníferas (uvas europeias próprias para vinho) na região. O resultado não apenas foi positivo, como surpreendeu os especialistas. Em 2012, a primeira colheita experimental validou o potencial do terroir. No entanto, foi apenas em 2019 que a família decidiu assumir o protagonismo comercial, lançando seus primeiros rótulos próprios e transformando o lazer em um negócio de sucesso.
O Terroir de Morro do Chapéu
Para entender a qualidade dos vinhos da Santa Maria, é preciso olhar para a geografia. Localizada a mais de 1.100 metros de altitude, Morro do Chapéu oferece o que os especialistas chamam de “clima temperado de altitude”.
Contexto Extra: O grande segredo da região é a amplitude térmica. Dias ensolarados garantem a maturação da uva, enquanto as noites frias preservam a acidez natural e os aromas da fruta. Esse equilíbrio é essencial para a produção de vinhos finos, diferenciando-os dos vinhos de mesa comuns encontrados em outras partes do Nordeste.
Produção Artesanal e Microlotes
A Vinícola Santa Maria opera no modelo de Boutique, focando na qualidade extrema em vez da quantidade. Em uma área de aproximadamente 1 hectare, a família cultiva oito variedades de uvas, incluindo tintas e brancas.
A produção é feita em microlotes, o que permite um controle rigoroso de cada garrafa. O processo é inteiramente manual e artesanal:
- Colheita Manual: Garante que apenas os melhores cachos sigam para a vinificação.
- Acabamento com Cera: Os rótulos “Gran Reserva” recebem um lacre de cera feito à mão, um toque de elegância que ressalta o caráter exclusivo do produto.
Identidade e Enoturismo
Os nomes dos vinhos carregam a memória da família. O rótulo Santa Maria homenageia a capela da propriedade, construída em 2015 pelo pai de Laura para o seu casamento. Já o rótulo Capão remete ao apelido carinhoso do sítio (“Capãozinho”), mantendo viva a história do local antes mesmo dos parreirais.
Hoje, a vinícola é um destino obrigatório para quem visita a Chapada. A experiência de enoturismo inclui:
- Visitação aos Parreirais: Para entender o ciclo das uvas e o manejo do solo.
- Degustação Guiada: Uma jornada sensorial pelos vinhos brancos, tintas e licores artesanais da casa.
- Gastronomia Afetiva: O restaurante da vinícola serve pratos que harmonizam a tradição portuguesa (como o famoso Bacalhau com Natas) com os vinhos produzidos ali mesmo.
Conclusão
A Vinícola Santa Maria não é apenas um local de produção de bebidas; é um símbolo do novo agronegócio baiano e da valorização do interior. Ao visitar Morro do Chapéu e provar um de seus vinhos, você está degustando o resultado de anos de pesquisa e a paixão de uma família que decidiu apostar no potencial oculto da Chapada Diamantina.
Serviço: A Vinícola Santa Maria funciona de quarta a domingo. Para visitas guiadas e almoços harmonizados, recomenda-se o agendamento prévio.